16/02/2009

Para vencer, é preciso ser humano

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Para vencer, é preciso ser humano

(Frase criada por alunos do Colégio Pardal/2008, 2ª Série do Ensino Médio)

 

Diante de nós uma multidão de sorrisos encanta. Revemos na moça que comemora ao nosso lado os olhos perscrutadores e ansiosos de cada uma das menininhas e dos menininhos assustados que nos foram confiados há mais de uma década. Captamos no rosto oriental do rapaz encostado na parede os ares de filosofia que se estampam na turma toda agora.

 

Como é confortável, quase relaxante mesmo, devolver às famílias e à vida lá fora gente tão especial e importante! Nós acompanhamos por anos ou meses, não importa, seus medos e certezas, seus recuos e vitórias, essa sensação humanamente deliciosa de crescer caindo, respirando, levantando, aprendendo, produzindo.

 

Que relevância pode ter o tempo neste instante? Ele é apenas o acúmulo de ricas experiências que ajudam a ir em frente. Os pés já alcançam o caminho da vida adulta. Os passos serão cautelosos, mas curiosos. Correrão em busca de autonomia. Precisam experimentar para decidir.

 

Nosso coração bate ruidosamente. A sensação de que conseguimos construir uma ponte nos invade. Na travessia, vislumbramos seres humanos que buscarão mais conhecimento para, num outro tempo, com as mãos estendidas, fortalecerem seu país. Eles certamente lutarão para que o povo que nele mora tenha a mesma oportunidade de sorrir como eles hoje sorriem.

 

A Escola já está cheia de saudades. Levem consigo também um pouquinho de nós.

Profª. Maria Dulce Machado de Aguiar  

Diretora do Colégio Pardal

12/12/2008

“Mea Culpa ‘Quae Sera Tamen’ ”

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Vivemos tempos de turbulência explícita. A crise nacional mostra sua cara nos presídios, nas favelas e periferias, nos bolsões de corrupção, nas lutas do campo, na incoerência da polícia e, pasmem, nas atitudes tresloucadas dos filhos de classe média. Assassinatos, pancadaria, gangues, um festival de banalidades e selvageria varre o Brasil do Oiapoque ao Chuí, devidamente caracterizado pelas peculiaridades de cada região. O que não há é exceção. Lamentavelmente a violência se exibe diariamente no horário nobre em todas as formatações.

A parcela esclarecida da sociedade ensaia agora um “mea culpa ‘quae sera tamen’ ” e começa a se preocupar, porque as instituições têm que tomar medidas punitivas contra seus herdeiros. Se for um pouco tarde para essa geração que criamos – sem limites, com uma enorme dificuldade para assumir qualquer coisa, inclusive os próprios erros – certamente resta a esperança de que é possível refletir e recomeçar com as crianças que ainda não conseguimos transformar em seres egoístas, às vezes cruéis, tiranetes, sem o menor talento para lidar com obstáculos, frustrações,vúpula, negativas.

Dizer que a culpa é do governo ampliado ( Executivo, Legislativo, Judiciário) ou apenas dos pais seria muito simplismo. É preciso ir além. E aí entra a Escola, uma instituição que vem privilegiando conteúdos e ignorando valores. Como educadores, temos a obrigação intelectual e moral de promover debates internos, propor trabalhos, dialogar com as crianças e adolescentes, impor-lhes limites, criar escolas de pais. E mais: provocar discussões sobre a família, a educação, a globalização e suas conseqüências, a crise de identidade dessa geração, o papel da mídia e da tecnologia como parceiros compulsórios no processo pedagógico. E é o que pretendemos fazer como instituição.

Afinal, sabemos que o retrato deste pesadelo nada mais é que o sintoma de erros terríveis que devem ser localizados e combatidos em sua raiz. Somente o envolvimento de todos os responsáveis – governo, família, educadores – podem apontar saídas. E inevitavelmente elas deverão passar por uma reflexão sobre respeito, ética, solidariedade e humanização.

 

Profª. Maria Dulce Machado de Aguiar  

Diretora do Colégio Pardal

12/12/2008

Resgate

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Às vezes minha imaginação me devolve à infância, quando as brincadeiras à noite, na rua sem asfalto, ainda não representavam risco de vida. Nesta época, eu gostava de flertar a lua, ia à matinée no domingo, pedia a bênção à visita, desfilava com uniforme de gala no 7 de Setembro e entendia polidamente o olhar de minha mãe quando a comunicação tornava-se impossível.

O educador era uma figura inseparável de valores como respeito, caráter, dignidade e dedicação ao trabalho. Sua palavra dificilmente era questionada. Aliás, normalmente pesava nas decisões da família.

Esse tempo passou. Deixou ranhuras e saudades. Uma revolução social sufocou o educador – deus. Felizmente, em parte, porque é importante que se desdivinize o que é humano. Lamento a desmistificação perversa que se sucedeu.

Em tempos não muito remotos as escolas enfrentaram a tirania de pais e alunos e ajudaram a formar uma geração imatura e com pouca noção de limites e responsabilidade.

Resgatar o papel do educador é fundamental para a sociedade. Afinal, a Escola e a família devem acertar uma parceria para orientar o que de mais importante apareceu na Terra:  o ser humano.

Se há maus mestres, diretores sem escrúpulos e instituições incompetentes, a família deve expurgá-los do sistema. Basta pesquisar, questionar e conhecer bem a Escola que escolher para seu filho, seja ela pública ou privada. Uma parceria só se estabelece com sucesso se há uma relação saudável de confiança.

A educação do “mestre-deus” deixou-nos as marcas da repressão e da palavra cassada antes de nascer. Sua desmoralização ajudou a encaminhar problemas familiares e traumas sociais que só agora conseguimos avaliar.

Que tal um pouco de bom senso agora?

 

Profª. Maria Dulce Machado de Aguiar 

Diretora do Colégio Pardal 

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